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Argentinos

Comentário rápido: o Corinthians fez o seu melhor negócio do ano: mandou, numa tacada só, os seus argentinos embora. Tevez estava mais preocupado com a cumbia que com a bola, Mascherano perdeu o fio depois da briga com Marcelinho e estava criando mais casos que jogando. E o Sebá... o Sebá nunca criou caso, é verdade, mas também nunca jogou bola...
 
Agora, Amoroso e Magrão? Num sei não. Não me causam suspiros. Para eu não falar bobagens, melhor esperar para ver...
 
 
Detalhe importante
 
"O gol é insignificante. O que interessa é eu mostrar minha movimentação e vontade durante os treinamentos"
 
A frase é do gênio Rafael Moura, após o jogo contra o São Caetano, quando ele marcou o único gol da vitória por 1 a 0.
 
Quer dizer então que marcar gols é insignificante? E olha que ele é centroavante, hein, que teoricamente vive deles. Assim caminha o futebol. E assim caminha o Corinthians...


Escrito por Luiz às 00h37
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Toalha

Confesso que até me animei com a chegada do Leão ao Corinthians. Pensei que ele iria colocar ordem na zona que o time de futebol havia virado e tudo mais. O começo, com duas vitórias e a retirada da faixa de capitão do Tevez, foi promissor. Mas, depois da derrota para o Grêmio e a forma como ela aconteceu, joguei a toalha.
 
Jogadores sem o mínimo comprometimento, senso profissional lá embaixo, Mascherano cavando uma expulsão ridícula, a palhaçada toda do Tevez e o zum zum zum que isso criou. Sem fala na eterna briguinha de colegiais entre Dualib e Kia. Não dá para levar um clube assim a sério.
 
Em 2007, tenho absoluta certeza, teremos jogos do Corinthians às terças, sextas e sábados. A Série B terá mais um campeão brasileiro em seus quadros.


Escrito por Luiz às 01h08
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Depois da hora

(Homenagem a um grande amigo)

O Zé trabalhava todos os dias até tarde da noite. E chegava em casa sempre de madrugada. Disso, a Maria não reclama. Até se orgulhava por ter um marido trabalhador, daqueles que não tem medo de pegar no batente, no dia ou na hora que for.

Mas (e nessas histórias sempre tem um “mas”), o Zé também gostava de tomar alguns copos no bar da frente da firma após o expediente. Não era sempre, mas às vezes algum amigo chamava, todo mundo do setor iria. Não tinha como rejeitar o convite. Ele não traía a Maria de jeito nenhum, mas ela ficava uma arara quando ele chegava tropeçando no tapete e trombando com o batente da porta. Era briga na certa.

Naquela noite, todo mundo foi para o bar e, só para não ficar com fama de chato, o Zé foi junto. Ia ficar só um pouquinho, tomar uma cerveja e voltar para casa. Estava cansado e a última coisa que ele queria era brigar com a mulher. E a greve de sexo depois. Sim, depois de cada briga, ele ficava para escanteio por três ou quatro dias. E ele não estava em uma fase de agüentar abstinência.

Só que é aquela coisa: conversa vai, conversa vem, desce uma porção de frango à passarinho, outra de provolone à milanesa e o Zé se empolgou. E foi ficando. E bebendo mais um e mais outra. O tempo foi passando. Quando ele olhou no relógio mais uma vez, e conseguiu decifrar a danças dos seis ponteiros que estranhamente estavam lá, ele viu que já era quase de manhã. O desespero bateu na mesma medida que o céu começava a trocar o preto pelo azul escuro.

Mesmo tropeçando, bambeando e quase beijando os postes, ele correu para casa. Correu o mais rápido que pôde e chegou na porta do apartamento quando o relógio, que (talvez pelo susto) já voltara a ter apenas dois ponteiros, passava das sete da manhã.

O plano era simples. Entraria sem fazer barulho, deixaria a bolsa no sofá da sala, trocaria de roupa no corredor e, de mansinho, ocuparia o seu lugar na cama. Como era sempre ele o último a dormir, ficava com a parte próxima à porta. Um problema a menos.

Mas, o Zé notou um movimento estranho na casa. Só aí, ele se lembrou que a Maria iria sair de casa cedo para buscar a sobrinha na rodoviária. O despertador já havia tocado e ela estava para sair do quarto. Ele tinha que pensar rápido.

Só restou uma chance. Ele abriu rapidamente a bolsa, pegou os dois livros do curso de inglês e deitou no sofá. Um dos livros, ele jogou no chão e o outro deitou sobre o peito. Fechou os olhos e esperou. Dois minutos depois, a Maria entrou na sala e gritou com ele. “O que você está fazendo aí???”

Ele abriu os olhos com dificuldade. “Ãh, ãh... Ah, eu estava estudando inglês. Acho que peguei no sono”, justificou, com uma voz vacilante, como quem é despertado de um longo descanso.

Mas ele não escapou da bronca: “Tá vendo? Tá vendo? É por isso que você não aprende. Fica dormindo aí!!!!”

E saiu, batendo a porta da cozinha.


Escrito por Luiz às 21h46
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Ouvi por aí...

Os dois estavam fechado em um quarto. Um homem e uma mulher. Tudo em silêncio até que:
 
"Ai, que coisa ridícula, seu idiota!!!!!", ela gritou.
 
"Foi você quem colocou a mão aí", ele devolveu de bate-pronto, quase indignado com a reação da garota.
 
Ela foi embora batendo a porta e ele ficou com cara de tacho.
 
Agora, o que será que aconteceu? Eu só tenho palpites...


Escrito por Luiz às 01h50
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Presentes de aniversário

1 - No Rio, o Corinthians vence o Fluminense, que está bem na tabela, e sai da lanterna do Brasileirão.
 
2 - No Sul, o Inter leva o título da Libertadores em cima do São Paulo e todas as suas malas.
 
3 - No primeiro gol colorado, Rogério Ceni falha feio e deixa a bola nos pés de Fernandão. Parece que, depois dos gols, ele está começando a querer dar assistências também.
 
Pois é, três presentes de aniversário. A noite foi ótima!!!
 
 
Faixa de capitão
 
Por motivos óbvios, não pude ver a estréia de Leão no Corinthians. Mas, além da vitória, uma coisa me agradou: ele tirou a faixa de capitão do Tevez. O argentino está precisando jogar mais e entender um pouco mais sobre o que é Corinthians para poder ser o líder desta equipe. Tá certo que ela foi parar no braço do Betão, mas aí eu já iria querer demais se eu sonhasse com um capitão de classe, né?


Escrito por Luiz às 03h25
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Mais um pouco de Corinthians

Leão chegou falando grosso no Corinthians, como se esperava. Falou em profissionalismo, em disciplina, em trabalhar com argentinos... Tudo o que se esperava. Mas, a chegada do kit Leão vai trazer, de imediato, algo mais que este "choque de gestão". Os goleiros vão ter de se coçar com o novo comando.
 
Primeiro, porque Leão foi goleiro dos bons e sabe muito da posição, como um camisa um de verdade deve agir. Depois, porque Pedro Santilli, o fiel escudeiro do felino, é um bom treinador de goleiros. E isso estava fazendo falta no Parque São Jorge. Não é possível que todos os arqueiros que cheguem para o time sejam ruins: eles são mal treinados, isso sim.
 
Sílvio Luiz, que já mostrou competência no São Caetano, não pode tomar os gols que vinha tomando, não sair nas bolas cruzadas e tudo mais. Marcelo, que é jovem ainda, não pode falhar em todos os cruzamentos sem ser corrigido. E o Herrera não pode ser tão atrapalhado assim. E Fábio Costa, no ano passado, também estava mais irregular que de costume. Muito mais que no Santos.
 
Fica claro para mim que falta treinamento: ou qualidade no trabalho do preparador ou empenho dos jogadores, o que é uma obrigação do preparador exigir. Esta é uma melhoria que espero desta nova gestão. Com o problema do gol resolvido, o time pode ter uma tranqüilidade a mais para resolver os outros. E olha que problema é o que não falta no clube.


Escrito por Luiz às 01h14
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O que nos resta

A que ponto o Corinthians chegou. Até eu estou tendo que concordar que Leão realmente será a solução para o time não cair para a Segundona. Depois de ter tentado com Antônio Lopes, Ademar Braga (quem???) e Geninho, só restou alguém que dê porretada na mesa para ver se os boleiros resolvem cumprir a obrigação.
 
Leão não é estrategista tático e para comprovar isso é só prestar atenção em suas equipes. Mesmo o Santos campeão brasileiro de 2002 era muito mais calçado nos talentos individuais que em sacadas táticas. E essas manias de chamar repórter para a briga e querer ser mais inteligente que o mundo me irritam profundamente. Mas, é o que nos sobrou.
 
Se ele fizer uma limpa em Roger, Marcelinho, Sebá, Rafael Moura, Gustavo Nery, Ricardinho (que vai pro raio que o parta, graças a Deus) e tantos outros que só fazem número para o rachão já está muito bom. O Corinthians é maior que esse povo, que Kia, que Dualib, que Gaviões da Fiel...
 
Mesmo os outros têm de se preocupar um pouco mais com o futebol que com o corte de cabelo. Sabe qual a última moda nos salões de beleza? Eu não sei e nem quero saber. O que eu quero é gol, não trancinhas rastas, caminhos de rato ou jubas armadas.
 
Às vezes, até torço por uma queda, por mais paradoxal que isso possa parecer à primeira vista. Queria ver, apenas, quem iria sobrar para contar história.


Escrito por Luiz às 01h14
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Avanço de sinal

Os dois se conheceram por acaso. Poderia-se dizer que foi um acidente do destino, não tivesse sido um acidente de trânsito mesmo. A pic up do Adolfo não respeitou o sinal e parou apenas na lateral do carro da Solange.

Trocaram as primeiras palavras como motoristas civilizados que eram.

- Seu irresponsável!! Seu inconseqüente!!!

- Sua desequilibrada!!! Sua histérica!!!!

No meio de tamanha gentileza, ficou acertado que o seguro do Adolfo pagaria as despesas do carro da Solange. Ela só deveria fazer três orçamentos e combinar a vistoria. Só trocaram telefones para o caso de algum problema. Não que tivessem alguma intenção de se ver de novo, mas sabe como é.

Só que o carro da Solange demorou para ficar pronto. Na oficina, diziam que a seguradora não havia pago o serviço. O seguro, por sua vez, dizia que não tinha culpa no caso. A moça resolveu ligar para o Adolfo. Afinal, foi ele quem bateu no carro dela.

Ele também estava tendo problemas com a oficina. Não era a mesma, nem o problema era a demora. Mas o serviço não havia ficado bom.

Começaram a se falar para tentar resolver o problema dela. E o conserto, para falar a verdade, até que foi para frente. O carro ficou pronto, mas os dois continuaram a se falar.

E descobriram afinidades. Trocavam o óleo do carro no mesmo posto. E usavam a mesma marca de fluído de freio. Já estavam até se achando simpáticos. O acidente já havia virado motivo para riso quando, em um exagero típico da situação, ele disse que havia achado aquela histérica linda.

- Não vi o sinal. Estava distraído, pensando na minha mulher, que me deixou - ele confessou.

- Você é casado?

- Não, separado. Já faz dois anos, mas eu ainda gostava dela.

“Ele disse gostava”, pensou ela, que tinha desmanchado o namoro não havia muito tempo.

“Será que eu falei demais?”, ele ficou em dúvida.

Combinaram de sair. Um barzinho despretensioso, mas aconchegante, com um homem tocando piano e outro solando no saxofone.

A conversa ia bem e eles acharam mais pontos em comum. Qualquer coisa era motivo para afinidades.

- Não acredito: você também gosta de Friends?

- É, não é tão bom quanto Seinfeld, mas eu gosto sim.

- Nossa!!! Seinfeld é o máximo.

Até que o Adolfo puxou a cadeira um pouco mais para perto e deixou a mão cair na perna da Solange. Ela se arrepiou e ele percebeu. Ficou mais confiante. Chegou mais perto ainda e deu um beijo nela. Não um beijo de volúpia, daqueles "no seu ou no meu apê?", mas um beijo suave para abrir caminho.

Ela aceitou o beijo, mas depois parou e olhou bem o rosto dele. O Adolfo estava com aquela cara de bobo feliz. A Solange levantou e foi embora.

É a maldita mania do Adolfo de avançar o sinal.

Escrito por Luiz às 12h21
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Força, Colorado

Em homenagem à Mari, a colorada mais querida que conheço, eu não poderia deixar de falar sobre a vitória do Inter contra o São Paulo, na primeira decisiva da Libertadores. Vitória justa, diga-se de passagem, contra o time mais chato dos últimos tempos. Afinal de contas, é duro agüentar malas como Rogério, Souza, Ricardo Oliveira e afins. Todos no mesmo time.
 
Mas, o que aconteceu no Morumbi me leva a uma outra divagação. Rafael Sóbis, o autor dos dois gols de quarta-feira, quase foi vendido para um time europeu no período da Copa do Mundo. Era o que o clube precisava para ter a garantia de fechar o ano no azul. Mas, o negócio não deu certo e o rapaz ficou no Beira Rio. Ainda bem!!!
 
Neste ponto, vale a discussão sobre o que é mais vantajoso para um time: vender um jogador de 20 e poucos anos, com identificação com a torcida e talento comprovado (o caminho mais fácil), ou investir na manutenção de uma equipe por alguns anos (o mais difícil) até que a recompensa venha? Fico com esta opção, ressaltando que, se é pra fazer caixa, que o clube venda jogadores medianos, esses que encontram preços razoavelmente bons na Ucrânia, Rússia e correspondentes.
 
No caso do Inter, que se mantenha Sóbis, Bolívar, que se invista no ótimo goleiro Renan, muito melhor que Clêmer... A recompensa virá não só em rendas ou (se bem explorado) dividendos de marketing e direitos de TV. Virá em algo muito maior, que é um motor principal da paixão futebolística: a formação de equipes históricas, daquelas que marcam época, dão gosto no torcedor e levantam seu orgulho enquanto membros de comunidades esportivas. Hoje, o Inter tem uma chance para fazer isso. Tomara que saiba aproveitar.
 
Da decisão, bem... Como lembrou o amigo Fernando, em seu Amálgama, "a serpente tem de ser pisada na cabeça". É bom ter cuidado. Mas, estarei torcendo aqui, como a Mari estará fazendo lá. Até o meu cobertor vermelho (o mesmo que usei quando o Corinthians bateu o Grêmio na final da Copa do Brasil de 95) já está separado. Força, Colorado!!!


Escrito por Luiz às 01h13
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Notas rápidas

Essa é do genial Romuca, sobre a situação no Corinthians:
 
"A gente precisa do Tudson e eles trazem o Nadson"
 
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Constatação após a primeira tentativa de andar de bicicleta após anos de sedentarismo: fazer exercícios é muito perigoso para a saúde.
 
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Lembram do Valdemar Costa Neto, o primeiro deputado federal a renunciar, logo no começo da crise no Congresso? Então, ele está de volta e tenta voltar ao cargo. Já sem a presidência do PL, faz campanha aberta em Mogi, seu reduto eleitoral. Só que em Bertioga, cidade do litoral paulista, os muros com sua propaganda, além do número, só mostram o seu apelido: Boy. E mais, ao lado deles, os nomes de Geraldo Alckmin e José Serra.
 
Será que ele mudou de lado ou isso é estratégia para desgastar as imagens dos tucanos e lhes tirar votos?


Escrito por Luiz às 19h54
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Quarta divisão

Em seu Febre de Bola, Nick Hornby fala sobre a obsessão do torcedor de futebol comum. Aquele que segue o time ano após ano, rodada após rodada, como se isso fizesse parte dele. Mas, deve chegar às beiras da falta de bom senso completo, usar a tarde de um sábado de sol para assistir a um jogo entre União Mogi e Mogi Ltda, pela quarta divisão do Campeonato Paulista. Pior ainda: gostar disso.
 
É um sentimento que só o torcedor de cidade do interior pode ter e que passa longe dos organizados da Capital, mais preocupados em quando será a próxima briga que com o jogo de bola em si. O prazer de sentar-se numa arquibancada suja e ouvir todos aqueles respeitáveis senhores de cabelos brancos ou já completamente carecas xingarem o bandeirinha mais próximo enquanto 22 rapazes de qualidades técnicas duvidosas correm atrás da bola (e muitas apanham dela) é quase um estado de espírito.
 
Ontem, foi ainda melhor porque alguns ingredientes deixaram o jogo mais jogo em si. Arrumaram uma batucada para animar a torcida, de tal forma que, por vários minutos, a arquibancada inteira estava mais preocupada com o ritmo de bumbos e caixas que com o que acontecia no gramado. Isso até alguém enxergar um impedimento mal marcado: "Tá bêbado, bandeirinha?"
 
Quando a batucada já estava em um ritmo mais cadenciado e a cerveja já havia sido servida aos músicos de plantão, chegou o cara do coelho, um cidadão que leva o orelhudo animal a todos os jogos, independentemente de qual time da cidade esteja em campo. "É a Roberta", lembra-me o companheiro do lado esquerdo. Sim, é uma coelha cinza e ela tem nome!!!
 
O jogo já estava resolvido e o atacante recebe, na nossa frente, uma bola em condições de marcar. Dominou com certo estilo e largou o pé, só que ela não obedeceu e foi sair longe do gol. Alguns degraus mais para cima, vem a voz inclemente de um senhor barrigudo: "Ô Nove, vai chutar bunda de vaca!!!"
 
Melhor, só o treinador de goleiros do Mogi que foi assistir ao jogo na arquibancada atrás de um dos gols para fazer suas anotações de auxiliar técnico. No primeiro gol do União, um torcedor comemorou atrás dele e o cara estressou. Foi pior. A cada gol, três outros unionistas passaram a tirar sarro dele, diretamente. Até que ele mudou de lugar.
 
No fim, o 4 a 1 para o União deixou a tarde mais alegre para a maioria dos que estavam lá. Esses saíram satisfeitos, com a idéia fixa que o time caminha firmemente para a Série A-3 (a terceira divisão). Para quem perdeu, fica a certeza de ter de quem reclamar por uma semana, pelo menos. Mas, na próxima, estarão lá de novo. Todos, eu e a Roberta.


Escrito por Luiz às 14h48
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Coincidência

Será que é só coincidência que o Corinthians voltou a mostrar vontade, disposição e, principalmente, a ganhar tão logo Ricardinho e Gustavo Nery foram sacados do time? Será?


Escrito por Luiz às 14h48
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Falta de sorte

O Tião já tinha perdido as contas das tentativas no caça níquel do bar, mas o dinheiro que a Joana havia dado para comprar o pão e o leite já estava quase acabando. Praguejava e reclamava da sorte. Além de sair de mãos abanando, ainda teria de inventar uma desculpa para a falta do café da manhã. Pensou até em pedir fiado para o Mané, mas ele não iria aceitar. Afinal, da outra vez, havia demorado três meses para pagar a conta.
 
Pegou a última moeda, rodou-a entre os dedos e olhou em volta da máquina, colocada entre o caixa e a porta. Alguns o observavam com o brilho nos olhos típico do interesse pela desgraça alheia. Outros, com a indiferença clássica de quem não tem mais o que fazer. Jogou a moeda e apertou o botão. Perdeu.
 
Tomou coragem, mandou a prudência para o inferno. Encarou o bigodudo português, daqueles que parecem ter vindo na esquadra de Cabral, e pediu. Ouviu um não com todo o sotaque possível e um vigor que os lusitanos só conseguiram após a contratação de Felipão. E logo para cima do Tião, que era palmeirense doente. Daqueles que guardam até camisa com o patrocínio da Agip.
 
Com o ânimo de um pescador do Alasca, abriu a porta do casebre e entrou improvisando uma história sobre bolso furado, infelicidades e dinheiro voando para o bueiro. Foi o melhor que conseguiu pensar no caminho de três quadras. Parou e esperou o surto da Joana, que, como sempre, diria que aquela havia sido a gota d'água, que ela não agüentava mais isso, que ele deveria ter um pingo de responsabilidade... Todo o discurso que ele já sabia de cor e salteado.
 
Só que as palavras não vieram. Joana não gritou, nem resmungou, nem chorou. Só o olhou. Tirou do bolso o mesmo valor em moedas do que o Tião havia perdido no boteco e colocou em cima da mesa. Jogou a mochila com roupas nas costas, bateu a porta do casebre e ganhou o mundo. O marido olhou em volta... E praguejou contra a sorte.


Escrito por Luiz às 01h31
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Times, dívidas e loterias

A classificação de São Paulo e Inter para a final da Libertadores deixa claro que, com um pouquinho de organização, os times brasileiros matam a pau na América do Sul. Pena que isso não é regra, muito pelo contrário. E taí a luta pela aprovação desta Timemania, uma loteria criada para saldar dívidas dos clubes com o INSS, que não me deixa mentir.
 
A idéia é que o apostador jogue nos escudos dos clubes. Uma parte da arrecadação vai para o pagamento das dívidas previdenciárias, que são enormes. Uma vergonha!
 
Ou seja, mais uma vez, o pobre do torcedor vai ter de pagar pela incompetência de dirigentes. E aí, entram também os dirigentes do país, que deveriam cobrar a dívida ao invés de passar a mão na cabeça dos caras e criar formas para livrar a cara deles.
 
No fim das contas, os dois tipos de dirigentes se merecem. Nós é que não merecemos nem os políticos que temos, nem Dualibs, De la Monicas, Márcios Bragas e afins. E olha que eu nem falei do Eurico, que é uma mistura dos dois.


Escrito por Luiz às 00h46
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O começo de Dunga

Em plena ressaca da Copa do Mundo, quando a cabeça do brasileiro ainda dói com as doses de Henry e Zidane, Dunga fez sua primeira convocação como técnico da Seleção. Foram escolhidos os jogadores para um amistoso sem graça contra a Noruega, bem no dia do meu aniversário. Se antes as comparações do atual treineiro com Falcão se baseavam no fato de ambos não terem nenhuma experiência e terem sido contratados após vexames do Brasil e Copas, agora essas semelhanças ganham mais um tempero.
 
Em 91, Falcão, pressionado pela opinião pública e pela cúpula da CBF, deixou de fora de suas primeiras convocações todos os jogadores que atuavam fora do Brasil. Na época, eles eram apontados como os responsáveis pela eliminação da Seleção para a Argentina, na Copa da Itália. Eram perfeitos mercenários, que só pensavam em dinheiro e não tinham nenhum amor à camisa. O craque da "nova Seleção" era Neto, o injustiçado por Lazzaroni em 90. No primeiro fracasso, no entanto, os "europeus" voltaram e, logo depois, Falcão caiu. Em 94, a maioria dos convocados jogavam fora do país.
 
Na lista apresentada hoje, Dunga (que jogava na Fiorentina em 91 e foi um dos que sofreu com a Seleção da terrinha, mas depois voltou) deixou de fora os medalhões, com a desculpa que Kaká, Ronaldinho e Adriano estavam voltando de férias e precisavam recuperar o ritmo. Conversa fiada. Já Ronaldo está machucado ainda.
 
Na verdade, o que se procura é dar um refresco de cobrança para as imagens dos medalhões. Imagens que foram desgastadas com quilos a mais, firulas demais e situações ainda não bem explicadas em terras alemãs. Para isso, coloque-se jogadores novos, sem vínculos com o que aconteceu no encontro com a França. De remanescentes do time titular apenas Lúcio e Juan, dois dos que se salvaram na campanha de junho/julho.
 
Vai ter alguém que levantará a mão e apontará uma renovação no quadro da Seleção. Bobagem!!! Os medalhões voltam logo logo. Talvez não todos, mas a maioria, com certeza. Bobagem, como a explicação de Dunga de que "serão os jogadores quem se escalarão, de acordo com o que apresentarem em campo". Tem muita gente que continua com lugar cativo no time titular, independente de qualquer coisa. Só vou acreditar nisso se Ronaldo não for mesmo chamado fora do peso, se Ronaldinho for sacado da equipe quando estiver jogando mal, se Adriano não for lembrado enquanto insistir em dar caneladas na bola. E, se tudo isso acontecer quando esta quarentena que foi imposta à imagem desses jogadores acabar.
 
Aí sim podemos pensar em um novo tempo para a Seleção Brasileira. Mas para isso, palavras precisam se transformar em atitudes. No futebol brasileiro, isso é mais difícil que aquele chute do meio de campo de Pelé na Copa de 70, entrar no gol.


Escrito por Luiz às 00h14
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TV a cabo

Meu pacote de TV a cabo mudou. Uma dessas alterações que as empresas fazem sem perguntar ao usuário se ele concorda e tal. Saíram a STV (o canal do Senac, se eu não me engano), o TCM (de filmes clássicos) e o Canal Brasil. Entraram o History Channel, a Fox e o AXN. Bem no começo das minhas férias. Pensando bem, acho que alguém, em algum lugar, gosta mesmo de mim. Só preciso agora descobrir que hora passa Lost.

Escrito por Luiz às 00h13
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Syriana

Em tempos de conflitos no Oriente Médio entre Israel e o Hizbollah, um bom programa é assistir a Syriana. Não só pelo belo filme de George Clooney, mas pelo retrato do Oriente Médio que ele traz, mostrando um aspecto que, muitas vezes, fica de lado quando a análise enfoca apenas o lado religioso das desavenças entre árabes e judeus. O fator finaceiro, de quem domina as reservas de petróleo ou quem influencia os dominantes delas, fica escancarado.
 
Mas, tráfico de influências a parte, interessante ver um ponto que passa de passagem pelo filme: a falta de oportunidades levando jovens pobres aos grupos fundamentalistas. Corpo de obra para os homens-bombas. Os que são sugados por uma visão de saída para a vida que levam.
 
Qualquer semelhança com o Brasil, em que as mesmas faltas de oportunidade de estudo, trabalho e dignidade levam crianças e jovens para, dependendo da região do país, o crime, o tráfico ou a prostituição não é figura de linguagem. Aqui, como lá, poderoso manipulam e manobram. Só os meios são diferentes.
 
Os finais são parecidos: dinheiro, poder... Não era para ser assim... Não precisava ser assim... Mas é!


Escrito por Luiz às 02h58
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