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Mesa de Calçada


Um bêbado no caminho

Em dia de eleição, as pessoas enchem o peito para dizer que vão exercer o direito de mudar o Brasil. Seja por "um país mais decente" ou para "deixar o homem trabalhar", lá vão eles para as urnas. Para outros, o mais importante é apertar logo o botão verde e terminar com o suplício de escolher "alguém que não vai mudar em nada o que está aí". Seja como for, a mudança do país depende, além do voto, de gestos simples do dia-a-dia, não só das obrigações eleitorais.
 
Educação com o próximo, respeito aos idosos, bom senso em ações em sociedade já seriam um bom começo para quem quer mudar alguma coisa. Por que esperar que um político mude a vida da população se não temos nem mesmo a capacidade de esperar um sinal vermelho antes de cruzar uma rua? Ou então, de dar passagem a um pedestre que está atravessando na faixa? Ou ainda, como sonhar com crescimento econômico quando se sonega o troco ao consumidor, por mais que o valor seja R$ 0,01?
 
Comecei com essas reflexões ao dar uma volta pela cidade neste dia de votação. Perto de uma escola, um homem estava caído na calçada, visivelmente embriagado, em pleno dia de Lei Seca. As pessoas passavam por ele com o nojo de quem não sabe o que aquela coisa está fazendo ali, atrapalhando a passagem. Do carro, ainda dava para perceber comentários indignados a respeito do pobre. Ninguém para ajudá-lo. O homem continuou largado lá.
 
Talvez, porque seja mais cômodo esperar que alguém nos ajude e resolva todos os nossos problemas. Fazer algo pelos outros dá muito trabalho.


Escrito por Luiz às 16h30
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Sonhos

 

Não se viam havia mais de ano. E tudo acabara com um "estou cansada de te esperar, adeus", dito por ela. E ele, para falar bem a verdade, nem se lembrava mais. Ainda mais depois que ela havia bloqueado o seu endereço de e-mail.

 

Mas, dia desses, o telefone tocou. Ele atendeu e, antes que pudesse dizer o alô característico para os números que não eram conhecidos de sua bina, uma cavalaria de palavras trotou por seus ouvidos. Mais ou menos como naqueles filmes que de caubói americano. Só faltou a corneta que iria na frente.

 

- Oi. Quando menos se espera, você renasce das cinzas. Sabe quem está falando?

 

- Oi. Sei sim, Sueli. Como você está?

 

Ele respondeu meio sem entender como conhecera a voz de quem mal lembrava o rosto. Vai ver, era o gosto dela por jargões, algo que impedia-o de levá-la a sério. Ela havia dito a mesma história da Fênix quando o encontrara no meio da Paulista, entre um tempo e outro em que saíram. Ou então, neste caso, a memória auditiva era mais forte. Como daqueles jingles antigos, difíceis de esquecer. "Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora..."

 

Foi despertado do transe pela cavalaria de palavras, que agora passava em ritmo de desfile de 7 de setembro.

 

- Eu não tinha esse seu número, Alberto. Mas, liguei para a sua casa e sua mãe me passou.

 

- Sei...

 

- Celular novo, né?

 

- É isso mesmo. O outro foi roubado.

 

- Mas eu queria saber se está tudo bem com você.

 

- Está, por quê?

 

- Ai, é que eu tive um sonho com você nesta noite. Achei que você poderia estar precisando de mim.

 

- Sonho? Que sonho? - ele respondeu, enquanto pensava: “E essa, agora, está pensando que é sensitiva. Ela não tinha essas esquisitices”.

 

- Ah, era um sonho ruim. Pensei que você estivesse precisando de mim, que eu pudesse ajudar...

 

- Não, está tudo bem. Mas como você está?

 

- Estou noiva - ela soltou, o coração pulando no peito. Era por isso que tinha ligado? Que havia discado o número do antigo celular dele três vezes antes de tentar ligar na casa do Alberto, aquela a que ela sempre pedia para ir, mas ele nunca aceitara levá-la? Era triunfante pensar que estava bem sem ele e poder demonstrar isso depois de noites de insônia e de pensamentos de internação em um convento carmelita.

 

(continua)



Escrito por Luiz às 21h03
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(continuação)

 

- Ah, legal. Parabéns.

 

- E você, como está? Namorando?

 

Ela perguntou meio sem querer perguntar, arrependida pelo frio que ameaçava percorrer sua espinha, como nos tempos em que ele falava bobagens em seu ouvido.

 

- Não, estou sozinho. Sabe como é, ninguém me quer - ele respondeu, pensando que ainda podia tirar um proveito da situação. Já que ela havia ligado mesmo...

 

Gelo completo na espinha. Sinal de perigo.

 

- Ah, então tá Alberto. Te liguei porque fiquei preocupada mesmo. Desculpe te incomodar.

 

- Não... tudo bem... Ligue quando quiser - e ele tentou, com força, bancar o político.

 

- Ah não... Melhor não.

 

E ela fingiu acreditar, mas o gelo voltou um tanto mais forte antes de ela começar a última frase:

 

- Então adeus, é melhor.

 

E desligou o telefone. E girou o anel de noivado no dedo, pensando que era melhor assim.

 

E ele decidiu que queria talharim com bife à parmegiana. E chamou o garçom.

Escrito por Luiz às 21h03
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No ataque

Tá certo que o Corinthians ganhou do Palmeiras e respirou. Melhor, empurrou o time deles para mais perto da zona do rebaixamento. Mas, não dá para levar a sério um time que não tem atacantes. Sim... O que o Amoroso está fazendo em campo, eu (com meus 103 quilos) faço. E os outros?
 
Eu achava o Jô ruim até ver o Bobô. Passei a achar o cara péssimo, até ver o Rafael Moura. Achei o "He-Man" horroroso... Até conhecer o Nadson. Meu Deus!!! Onde isso vai parar?
 
Que saudades do Dicão!!!!


Escrito por Luiz às 00h17
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Profundidade de um pires

"Certezas têm tanto valor quanto dúvidas. Mas, as dúvidas são mais confiáveis."

Escrito por Luiz às 21h18
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Schumacher

Não dá para entrar em discussão sobre quem foi melhor: Senna ou Schumacher. São épocas diferentes, quase esportes diferentes. Depois, vem a discussão sobre os adversários do alemão. Está certo que não existia nenhum Nelson Piquet, nem Alain Prost, nem Nigel Mansell, mas não dá para, por isso, diminuir o talento do heptacampeão. Ninguém bate todos os recordes de uma modalidade impunemente. O cara tem de ser bom.
 
Por menos simpatia que eu tenha por Schumacher, não deu para não sentir um aperto no coração ao vê-lo abandonar a Fórmula 1. Ainda mais depois da ultrapassagem em cima do Raikkonen. Tem de ser muito piloto para achar um espacinho, colocar o carro ali e ter a coragem e o braço suficientes para mantê-lo a centímetros do adversário em uma curva difícil como aquela. É um sentimento que só os grandes são capazes de despertar.
 
E logo ontem, piada interna, que eu estava torcendo pelo Schumacher ser o campeão.


Escrito por Luiz às 18h52
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Silêncio corintiano

Ah tá...  Quer dizer então que agora, além de não jogar nada, os jogadores do Corinthians também não falam nada. Afinal de contas, é óbvio que a culpa pela péssima colocação do time no Brasileiro é da imprensa.
 
Sim!!! Foram os repórteres quem perderam os gols e não Rafael Moura, Amoroso e Rosinei... Foram os comentaristas que falharam na zaga, não Marinho e Marquinhos... Os gols quem tomou foi algum narrador e não Marcelo e Silvio Luiz...
 
Essa postura de perseguição quase freudiana é difícil de engolir. Quase nojenta de se encarar. Não seria melhor, ao invés de evitar microfones e bloquinhos, eles começarem a demonstrar vontade e bom futebol? Sim, porque na fase boa, todo mundo quer falar. Eita mundinho podre, viu...


Escrito por Luiz às 23h22
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Corintiana

Responda rápido: como pode um jogador que adora freqüentar a noite e a cada balada vira meia garrafa de vodka ajudar um time a fugir do rebaixamento?


Escrito por Luiz às 00h53
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Lua

Em noite de lua cheia, ela se encarrega de fazer as honras a quem se dispõe a contemplá-la em algum lugar se luz.

 

A lua surge tímida, com as nuvens negras da noite a cercarem, a assustarem. Aos poucos, se forma um espectro de luz alongado. Como seu um fantasma estivesse pronto a surgir a qualquer momento. De alongado, a fina claridade vai tomando uma forma de esfera, até que ela surge para seu primeiro ato.

 

A luz é fraca, como se a lua estivesse sendo refletida em mar calmo. As nuvens que passam à sua frente realçavam de leve o brilho fraco, mas são insuficientes para apagar a beleza.

 

Como se adquirisse confiança para seu próximo ato, a lua ganha brilho, ganha vida. Já é uma esfera branca, iluminando o que estiver por perto. Nenhuma estrela ousa aparecer para dividir o momento, para ofuscar a protagonista da noite, que apenas observa o mundo.

 

Nuvens, como num ato de contemplação, mudam de cor. Não são mais pretas e assustadoras, mas de um tom cinza-chumbo, com pitadas de castanho aqui ou acolá. Nada chega nem aos pés do brilho branco que toma o céu.

 

Não é a lua dos namorados ou do boto ou do lobisomem. É simplesmente a minha Lua, em seu espetáculo solo. Como para mostrar que ainda existe beleza e pureza neste mundo. Para mostrar que ainda existe amor.



Escrito por Luiz às 21h20
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Vazio

Acordou desorientado pelas doses de whisky e pelas carreiras. Não consegui a saber se era dia ou noite no quarto de hotel três estrelas, com a janela fechada. Nem se importava. Não queria abrir os olhos para não se encarar. Preferia ficar ali, com a proteção do lençol, jogado sobre suas vergonhas.
 
Apalpou a cama e sentiu um corpo ao seu lado. Respirava levemente o sono de quem se entrega à fuga de um mundo que não compreende. Ele tentou se lembrar que era aquela moça que dormia nua a seu lado, mas não conseguiu. Lembrou sim de ter dito que a amava, em uma dos flashes de delírio que passavam por sua cabeça. É fácil dizer que se ama em uma situação como esta. Afinal, são só três palavras mesmo: "Eu te amo."
 
Agora, essas palavras doíam em sua alma. Quem era aquela garota? Como apareceu ali? Qual era o nome dela? Perguntas sem respostas que só aumentavam a angústia, o peso e a desorientação.
 
Coragem... Abriu os olhos e olhou-a mais uma vez. Nada. Nem uma outra lembrança. Correu os olhos pelo quarto e ainda não distinguia se era amanhecer ou entardecer. Continuava não importando.... Juntou forças e levantou.
 
Foi até o banheiro e, em cima da pia, descansava o restante do pó. Arrumou com o cuidado possível as fileiras e não deixou nada para trás. Um baque, mas voltou para cama. Sem encostar na moça ao lado, fechou os olhos e ali ficou.
 
Acordou muito tempo depois. Os médicos já haviam concluído a autopsia. Causas mortis: overdose de solidão.


Escrito por Luiz às 14h40
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Reflexão eleitoreira

Por curiosidade, passei os olhos nos deputados mais votados de São Paulo. Maluf, Russomano, Clodovil. Na Bahia, ACM Neto. Pro Senado, em Alagoas, Collor. José Roberto Arruda eleito governador do Distrito Federal em primeiro turno. Fica difícil ter esperanças no Brasil.
 
Pelo menos, os gaúchos mostraram bom gosto ao eleger a deputada mais votada. Foi Manuela D`Avilla, com 271.938 votos. Tenho ou não tenho razão? Eis a prova:
 


Escrito por Luiz às 22h49
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Mais versos

Esses são da música Levada desse tantãn, do Grupo Fundo de Quintal. Simboliza algumas coisas deste período sem textos neste blog.
 
"A sorte provando que é minha fã
Num broto bonito sorriu pra mim
Pra vencer a minha tristeza
O samba é o melhor divã
Me faz esquecer tudo que é ruim
No samba só tem alegria
No samba só tem bam bam bam
Perguntam se volto, e digo que sim"


Escrito por Luiz às 22h42
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